Então é Natal

Publicado em 4 de janeiro de 2010, por Saulo.Franca.

Nada mais justo que comemorar o nascimento daquele que, diferentemente de outros grandes personagens históricos, dividiu a história ao meio entre antes e depois de seu nascimento. Mas não vamos nos prender a discussões a respeito do tema, o que interessa é que é uma época de alegria, reunião de família, ceia, de ver os mesmos especiais na TV e de trocar presentes! Essa tradição milenar que, em parte, tem sua origem nos presentes trazidos pelos tais três Reis Magos permanece até hoje e cada ano se mostra mais forte ajudando a fomentar as vendas do varejo.

Independentemente da veracidade, temos que admitir que é uma boa história. Segundo o evangelho de Mateus, esses três homens teriam vindo do oriente, seguindo uma estrela, para venerar o Cristo, levando consigo Ouro, Mirra e Incenso como presentes. Nós brasileiros também fomos visitados por três agentes econômicos que embora não personificados sobre a forma humana, nos trouxeram presentes importantes. Como assim?

Essa semana o Relatório Trimestral de Inflação divulgado pelo Banco Central nos trouxe a grata surpresa de que os magos da nossa economia estão prevendo crescimento de PIB de 5,8% em 2010 puxado pela demanda doméstica (consumo das famílias e investimentos). Isso nada mais é do que a perspectiva de aumento de renda e riqueza no âmbito interno, ou seja, esse é o primeiro presente trazido pelos reis, o Ouro, aqui representado pelo crescimento econômico.

Os reis magos também nos trouxeram a Mirra. Essa resina anti-séptica era usada em embalsamamentos desde o Egito antigo. A mirra pode ser comparada à benção de termos uma economia sustentada por uma inflação sobre controle, visto que crescimento por si só não garante crescimento real de renda para a população em geral. É só você pensar no seu salário. De que adianta ele aumentar 5% se os preços no supermercado se elevarem em 10%? Você terá perdido poder de compra no fim!

Por último, mas não menos importante, temos o incenso que pode representar a fé, pois o incenso era usado nos templos para simbolizar a oração que chegaria a Deus como um aroma agradável através de uma fumaça que sobe ao céus. Pois é, nosso país exala ao mundo esse incenso que é fruto de nossa bela miscigenação racial-cultural, associado ao legado de nossa liberalização política, nossa tolerância religiosa, nossas riquezas naturais e a fé de todo brasileiro que tem o Cristo sempre de braços abertos a olhar por ele. Isso sem dúvida nos torna uma terra abençoada e única no mundo.

Acreditamos que a nossa bolsa neste ano tenha traduzido em seus pontos esses fatores aqui elencados. E essa semana, que foi de menor liquidez em função do próprio Natal e as demais festas de final de ano, não foi diferente. Tivemos três dias apenas de negociação, mas conseguimos fechar a semana em território positivo de 1,19%. A semana que segue ainda deve ser de manutenção dos lucros e com os investidores ainda envolvidos com os preparativos de festas de Ano Novo.

*William Castro Alves
Analista da XP Investimentos

Era uma vez…

Publicado em 29 de novembro de 2009, por Saulo.Franca.

Fonte: Área de Análise XP Investimentos*

Vou contar-lhes uma história. Era uma vez uma cidade-estado localizada numa terra desértica e desabitada, pelas bandas do oriente, no centro da Terra, próximo ao Golfo Pérsico. Essa localização central propiciou crescimento a esta cidade que passou a ser muito frequentada por mercadores e andarilhos que usavam-na como passagem. Até que certo dia, descobriu-se que esta cidade desértica estava localizada muito próxima a um líquido mágico muito desejado por pessoas do mundo todo. Logo essa cidade que possuía uma vocação comercial passou a comercializar esse líquido mágico que não parava de aumentar de preço. A cidade foi crescendo e desenvolvendo. Guerras se passaram próximas a ela e isso só fez com que as outras pessoas quisessem mais e mais esse líquido mágico. As adversidades de se habitar uma terra desértica e não favorável a vida humana foi sendo superada graças à prosperidade desse líquido mágico.

Certo dia, os governantes e poderosos dessa cidade se questionaram sobre o que fariam com tanto dinheiro gerado pelo líquido mágico desejado por todos. Eles pensaram: “Vamos transformar a nossa cidade no lugar mais surreal do planeta Terra! Vamos criar marinas artificiais, vales, lagos. Vamos criar as estruturas mais altas já construídas pelo homem. Vamos criar parques, shoppings, metrôs”. E, assim, nasceu Dubai!

Tudo parecia muito bem. Até que um dia, algum contador ou economista da Dubai World (empresa estatal dessa cidade-estado) resolveu fazer as contas e viu que algo estava errado. Nada mais, nada menos, do que cerca de US$ 60 bilhões em passivos. A estatal Dubai World foi durante muito tempo a joia da coroa da economia de Dubai, com a operação de portos, sistemas de transportes e encabeçando ambiciosos projetos de infraestrutura e imobiliários, no mercado doméstico e no exterior. Mas como um passivo dessa magnitude e com uma série de investimentos imobiliários mal sucedidos num império distante chamado EUA, os governantes de Dubai tiveram que surpreender novamente o mundo. Só que dessa vez ninguém parece ter gostado da surpresa! Os governantes tiveram que admitir que o conglomerado estava em reestruturação e pediram aos credores a paralisação, por seis meses, dos vencimentos das dívidas da empresa.

Num mercado globalizado, esse mau momento de Dubai, associado à ligação desta ao setor imobiliário e também financeiro do império americano, desagradou profundamente os investidores. Com ânimos exaltados e ressabiados com os ainda recentes eventos de perdas de grandes bancos, os investidores resolveram se desfazer de posições de risco e, com isso, a nossa bolsa recuou após romper a barreira dos 67 mil pontos nos 3 primeiros dias da semana de altas!

O conto de Dubai atrapalhou, ao menos momentaneamente, essa trajetória ascendente de curto prazo. De qualquer forma, em se tratando de Dubai, essa terra cheia de excentricidades tudo pode acontecer, não é mesmo? Até quem sabe esses US$ 60 bilhões sumirem, como num passe de mágica! Esperemos pelo final feliz desse conto.

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*William Castro Alves

Analista da XP Investimentos

Novo portal da Ápis

Publicado em 13 de outubro de 2009, por Saulo.Franca.

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